Páginas de um livro sobre os primórdios do cinema foram cortadas e fragmentadas até perderem escala e função bibliográfica. Os fragmentos viraram discos de 16 cm, impressos em fosco, lixados nas duas faces. O lixamento não é acabamento. É a operação. Age no corpo do disco, produz pó, instabilidade e resíduo.
Parte do resíduo ficará no fundo da caixa. O restante irá para as mãos de quem o manuseia. Junto aos discos de imagem: discos de papel colmeia preto, um disco inteiro de lixa 400.
A bibliografia do livro original foi cortada em tiras que circundam o interior da caixa, e, quando retiradas, lembram a película.
Um pano de pé-de-galinha, cortado na escala da lata, para limpar as mãos. O leitor leva o pano e o pó ao final do manuseio. A lixa age por dentro, no corpo da imagem. Não se trata de reconstruir o cinema analógico em seus primórdios. É levar imagem impressa, desgaste e manipulação até o ponto em que os fragmentos deixam de ser documento e passam a ser matéria. O trabalho continua em processo.
O livro
Cinema inicial, livro-fonte, repertório visual. Referências ópticas
As imagens do fantascópio, campo de inspiração visual.
Bancada
Tira da bibliografia / rolo colado, restos, caixas e materiais sobre a mesa. Transformação, corte, tentativa, bancada.
Discos caixa lixa colmeia
FORJA — a lixa age por dentro, sobre o próprio corpo da imagem.
Além dos discos de imagem, o trabalho incorpora discos de papel colmeia preto e um disco de lixa 400 frente e verso.
Manuseio
Elementos de manuseio: aviso, pano, disco e tira bibliográfica.